Tratamento de Úcera Varicosa

Colaborador : José Lluis Ramos

* Médico – Especialista em Saúde e Medicina Geriátrica – Metrocamp

veiasAs úlceras de estase venosa são a causa mais comum de úlceras de perna e quadril, e representam grande impacto na qualidade de vida e na economia. Nos EUA, a taxa de prevalência na população geral, fica entre 0,76% e 1,42%, enquanto na população geriátrica, faixa que a doença é mais comum, chega a 1,69%. Na Europa e Austrália a prevalência relatada é de 0,06% a 1%, embora no mundo possa chegar a 2,7%. Num estudo epidemiológico em Botucatu – São Paulo, encontraram uma prevalência de 3,6% de insuficiência venosa crônica grave com úlceras ativas ou cicatrizadas, segundo Maffei e cols.

Tratamento

O mais importante elemento no tratamento das úlceras de estase venosa é melhorar o retorno venoso, elevando o membro e exercendo efeito compressivo, na tentativa de reduzir a estase venosa. Os pacientes devem ser instruídos a elevar o leito em 18 cm acima do nível do coração e repousarem nesta posição por duas a quatro horas durante o dia e à noite.

O nível compressivo recomendado gira em trono de 30-40 mmHg para pacientes com úlceras de estase venosa. Existem diversas formas de compressão, desde bandagens, como a bota de Unna e sistemas de multicamadas, até meias elásticas ou produtos de compressão pneumática.

A bota de Unna é uma bandagem semi-rigida impregnada com óxido de zinco, desenvolvida em 1883, por Paul Gerson Unna, um dermatologista alemão. Deve ser aplicada semanalmente por médico ou enfermeiro com o pé a um ângulo de 90º com o tornozelo. Deve ser trocada semanalmente ou mais freqüentemente, caso a úlcera seja muito exsudativa. Caso contrário, pode ficar saturada com o exsudato da ferida e produzir odor extremamente desagradável. Além disso, caso a aplicação não seja feita de forma correta, pressões anormais podem ser exercidas e prejudicar a circulação, levando a necrose da pele, novas ulcerações e até mesmo gangrena.

As meias elásticas têm vantagem de não requererem tratamento específico para utilização, embora possam ser difíceis de colocar, especialmente para pacientes com artrite ou idosos.

Há vários tipos de bandagens compressivas, as mais simples trazem o inconveniente de perderem a elasticidade após lavagens, além de muitas vezes os pacientes não imprimem compressão adequada. As bandagens de compressão devem ser colocadas desde acima do hálux até imediatamente abaixo do joelho.

Uma revisão sistemática de terapia compressiva concluiu que o tratamento compressivo aumenta as taxas de cicatrização quando comparado com não compressão, sendo que sistemas de multicamadas são mais eficazes que sistemas de camada única e a forte compressão é mais eficaz que compressões mais suaves.

Veja – Úlcera crônicas nas pernas

Referências:

Dadalti-Granja P, Correa AC, Castro L, Franco T, Borojevic R, Takyia CM – Úlceras de Estase Venosa, Revista Brasileira de Medicina, Jul 2005, v62, n7

Síndromes venosas e Linfáticas – Diagnostico e Terapêutica, “A cicatrização e a intervenção medica no processo cicatricial” capitulo do livro editado pelo Prof. João Batista Thomaz. [on line]

Cintra do Prado, J; Ramos, J; Ribeiro do Vale, J; Atualização Terapêutica, 20ª ed, São Paulo, Artes Médicas, pág 180-182.

Mandelbaum, S.H.; Di Santis, E.P.; Santana Mandelbaum, M.H. – Cicatrização: Conceitos Atuais e Recursos Auxiliares, parte I, Anais Brasileiro de Dermatologia, Rio de Janeiro, 78 (4):393-410, jul/ago.2003. [on line]